15 de março de 2015

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2015

Volume 15  Edição  712

O  FUTURO  DA  INDÚSTRIA  BRASILEIRA


Não está perdido


O Brasil dispunha de várias das pré-condições requisitadas para ensejar a evolução de um importante sistema industrial:  amplo território,  amplo mercado interno,  fartura de matérias primas,  fartura de energia barata, razoável estabilidade democrática,  razoável infraestrutura de transporte, de portos, de comunicações, mão de obra barata.

Essa lista de premissas, divulgada durante o "milagre" na década de 70, reproduzia listas ideais de livros-texto universitários sobre planejamento e projetos de desenvolvimento, para divulgar uma perspectiva palpável para a eterna propaganda de que aqui seria o país do futuro.

Estava reiniciado naquela época, um vasto programa de substituição de importações,  inicialmente lançado no Governo JK, naquela época apoiado na indústria automobilística e na de eletrodomésticos, e ampliado na nova versão para muitos outros setores.

Se antes o foco era fabricar aqui o que era importado,  agora a missão passava a contemplar também a possibilidade da produção nacional visar também a exportação, agressivamente, agregando mais valores.

As crises do petróleo que se seguiram e o descontrole fiscal dos Governos,  interromperam o ciclo virtuoso de desenvolvimento,  revelando defeitos e distorções na sua espinha dorsal: ficaram faltando investimentos adequados na educação e na infraestrutura,  situação que até hoje persiste e que está no cerne da crise atual da indústria, mais do que outras causas mais superficiais que costumam ser apontadas.  Ao mesmo tempo,  concorrentes do Brasil, especialmente na Ásia, faziam o dever de casa corretamente.


Neste Século XXI, o forte ingresso de capital estrangeiro (especialmente via Bolsa de Valores) e um ciclo de alta para matéria primas e produtos agrícolas poderiam ter sido a alavanca para uma nova e decisiva etapa no nosso crescimento industrial,  mas infelizmente e novamente,  pouco foi feito no sentido de investir na infraestrutura, na educação e na saúde, como se os dirigentes do país (públicos e privados)  estivessem embriagados por cifras temporárias de crescimento, esquecendo o principal.

Nova crise internacional,  agora a financeira,  fez reverter algumas das bolhas que estavam evoluindo e a tentativa do grupo atualmente no poder por aqui, de superar os efeitos internos com demagógicos estímulos oficiais ao consumo, não deu certo.

Não devem ser excluídos de críticas os dirigentes privados,  por não perceberem que estavam cavalgando uma onda favorável bastante artificial em seus fundamentos e por não terem cuidado de seus custos e de seus planos de negócios com prudência.

O conserto dos escândalos fiscais e de corrupção não é tarefa suficiente para consertar o Brasil e fazer a indústria reocupar sua posição indispensável na economia: os investimentos já mencionados precisam ser feitos, pelo Estado, pelo setor privado e concomitantemente com os trabalhos de saneamento, que precisam ter essa meta como prioritária.   Caso contrário,  teremos novas décadas perdidas.

A sociedade terá que decidir qual a melhor forma de se chegar a isso, dentro de uma normalidade republicana.  Pessoalmente,  sempre considerei o mercado de ações organizado o melhor veículo para canalizar poupanças para esses objetivos inadiáveis.