25 de janeiro de 2015

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2015

Volume 15  Edição  706

MERCADO  DE  AÇÕES:  A  SOLUÇÃO

Solução que nunca chega...


Uma das sensações da semana foi a constatação de que, depois de muito tempo passado, a rentabilidade dos dividendos das companhias abertas americanas passou a superar a renda fixa sem risco paga pelos títulos federais americanos de longo prazo.

A sensação veio por conta  de análises apressadas que logo destacaram que estaria ai um relevante sinal para compra no mercado de ações, já que em retrospecto, fatos semelhantes teriam antecipado alta significativa das cotações: ficou de lado outra constatação, a de que os juros têm caido muito nos últimos anos, por forte estímulo dos governos.

Quem ficou animado acha que tudo isso faz parte de um conjunto de eventos que realmente propiciam um forte bull market a seguir,  não importando os detalhes históricos que cercam o fenômeno.

Pode ser que sim, mas a análise não está tendo muitos adeptos...

Vale a pena, entretanto,  aproveitar o tema para refletir sobre alguns aspectos da realidade brasileira, mesmo que pareça absurdo, já que temos as mais altas taxas de juros do mundo,  novamente aumentadas este ano (sendo o Estado que se quer consertar, o maior devedor...) a título de recuperar a credibilidade do Governo e de combater a inflação.

A tése da análise inicialmente mencionada é justificada pelo raciocínio de que se os dividendos da companhias têm rentabilidade competitiva com a da renda fixa e se o investimento em ações ainda possui a possibilidade de valorizar patimonialmente,  pelo acúmulo dos lucros que proporcionam tais dividendos,  uma boa parte da poupança poderia se sentir estimulada a investir nas ações...



O Brasil tem uma taxa de poupança equivalente a cerca de 18% do PIB,  no sistema de contas nacionais, ao tempo em que a China, por exemplo, tem taxa superior a 45%.   Evidentemente, para crescer um país precisa de investimentos e estes dependem de poupança.

A China tem um governo centralizador que aos poucos foi liberalizando a economia,  com organização ainda pouco transparente, mas acabou de abrir totalmente sua Bolsa para o mundo.

As companhias representam o melhor instrumento para captar poupanças para renda variável,  recolhendo capital não exigível ao qual não pagam juros,  partilham os resultados.  Um mercado de ações devidamente organizado e disciplinado,  é além de tudo,  uma excelente escola de cidadania,  treinando acionistas a cuidarem do que é seu, fiscalizando seus investimentos, e trocando uns por outros, para contribuir com a eficiência geral,  premiando os bons empresários e punindo os maus.

Que lição a sociedade poderia dar aos políticos que a controlam há tanto tempo,  se estruturas parecidas fossem adaptadas ao sistema eleitoral...

Ao contrário,  seguimos mantendo um esquema inteiramente favorável ao sistema financeiro,  admitindo como despesas dedutíveis os juros pagos a credores e não permitindo o mesmo para os rendimentos pagos aos acionistas, muito mais merecedores desse incentivo.

Seguimos discutindo miudezas das equipes econômicas de ocasião,  em vez de ampliar as estruturas que fomentem os empresários a buscar a economia popular para fazer os investimentos em tudo o que necessitamos, competindo entre si quanto ao preço e à qualidade de seus bens e serviços e redistribuindo saldos de lucros para semear futuros investimentos e expandir a riqueza nacional.