20 de julho de 2014

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2014

Volume 14  Edição 681

O  LEGADO  DA  COPA

Cifras não batem:

Terminada a Copa, os brasileiros ainda não classificaram de forma consensual o relativo sucesso administrativo (margens de erros razoáveis e não um caos...) e o relativo fracasso esportivo (afinal, chegou-se às finais,  ainda que sofrendo duas derrotas incríveis):  as opiniões ainda são bastante controvertidas.

As autoridades,  já com eleições bem próximas, se apressam a divulgar cifras impressionantes do número de turistas e dos gastos que os mesmos fizeram, nas principais sedes da competição como em todo o país.    No Rio de Janeiro, por exemplo, computaram mais de 800 mil turistas, injetando mais de R$ 4 bilhões na economia local...

A metodologia desses cálculos não foi divulgada, mas enquanto isso e conforme sua corrente política,  a mídia critica ou exalta a movimentação econômica durante a Copa.

Todos os números conhecidos até maio dos indicadores habituais,  apontam para uma economia fraca no segundo trimestre,  onde o mês de junho já deveria apresentar efeitos da Copa,  pelo menos no comércio e nos serviços.

Com a significativa derrota esportiva, voltou a  aflorar com força o conhecido complexo de vira-lata que leva os brasileiros a terem conceito depreciativo deles mesmos,  no mais das vezes com boas razões.

Entretanto, se não se consumou "a vergonha" prognosticada quanto ao funcionamento da infra-estrutura da competição, persistem volumosos os protestos quanto aos gastos descontrolados com o investimento na mesma: estádios,  transporte, equipamentos.  Igualmente,  muitos são os que acreditam que serão reduzidos os benefícios de um eventual legado da Copa.

Caso as cifras inicialmente divulgadas não forem inteiramente  falsas,  é impossível conciliar as previsões pessimistas para o segundo trimestre

 

com tantos milhões despejados pelos turistas estrangeiros.

Para confirmar qualquer das versões,  será preciso aguardar as estatísticas oficiais de costume sobre a indústria,  o varejo,  os serviços.   As cidades estiveram repletas de gente,  os estádios pegaram lotações praticamente completas e a mais conservadora estimativa de quanto foi consumido em bens e serviços já é, na verdade,  animadora.

Parece que uma primeira versão do impacto no varejo já teria saído quanto a maio passado,  de forma bem mais positiva do que o projetado.

Não importa se o efeito é temporário,  pois como se sabe,  a roda da economia gira com a circulação da riqueza e o impulso da Copa pode declinar com o final do certame,  mas se estenderá por mais algum tempo pela maior renda proporcionada aos locais.

Pessoalmente,  constatei que, evidentemente,  a divulgação da marca Brasil foi enorme no exterior,  ainda mais porque as coisas correram bem: as audiências de televisão bateram recordes nos quatros cantos do mundo e a presença de matérias não esportivas sobre o país foi também imensa.

Quanto ao legado da infra-estrutura,  cara ou barata,  depende do destino que a própria sociedade resolver definir para estádios e obras conexas,  ou seja,  trata-se de algo por fazer e que ainda não aconteceu.   

Em outros países, a hospedagem de grandes eventos serviu parcialmente de gatilho para a recuperação de áreas das metrópoles,  para projetos habitacionais,  para a melhoria da mobilidade urbana de forma mais duradoura, para incentivos à educação e ao treinamento profissional de parte das populações.

É uma competição que ainda se pode ganhar.