VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

5 de fevereiro de 2012

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2012

Volume 12  Edição 568

O  FIM  DO  CAPITALISMO

O assunto da moda:

A combinação de falta de regulamentação adequada e falta de fiscalização, para o mercado financeiro,  com políticas fiscais e monetárias frouxas,  deu origem a bolhas de crédito e a  bolhas de valorizações de ativos,  que distorceram a conjuntura econômica de todo o mundo.   São erros provocados basicamente por injunções políticas (e não técnicas) e que geram também um circulo vicioso:  para impedir um grande crash dos sistemas,  os Estados soberanos assumem parte dos prejuízos causados pelo fenômeno, invariavelmente agravando sua situação fiscal,  além de criar graves problemas morais e éticos.

A Europa é o exemplo vivo de tudo isso e os Estados Unidos,  onde tudo começou na verdade,  só não o é também,  em virtude de sua condição de emitente da moeda universal de liquidez, que é o dólar.

O assunto da moda, então,  tem sido considerar o capitalismo definitivamente fracassado como sistema econômico-político,  por mais essa crise que volta a deixar a sociedade universal à beira de grandes dificuldades.

O capitalismo sucedeu ao feudalismo como sistema dominante, a partir da descoberta do Novo Mundo e das grandes invenções (papel, pólvora, bússola...), do século XVI, passando pela Revolução Industrial que se seguiu e,  especialmente,  pelas conquistas intelectuais do Iluminismo escocês do século XVIII que,  como bem ilustrou em obra recente o pensador Arthur Herman, "inventaram o mundo moderno", com suas teorias sobre a liberdade com responsabilidade da sociedade civil,  passando pelos fundamentos da 

democracia e pela Economia Política de Adam Smith.

Existem diversas formas de capitalismo, historicamente e mesmo na atualidade,  conforme a preponderância de um ou outro fator componente (participação do Estado, por exemplo) e ainda a influência de elementos culturais inerentes a cada região.

Por outro lado, são escassos os lugares no mundo onde se pode afiançar que vigorem outros sistemas, como o socialismo e o comunismo,  com características marcadas que os classifiquem como possíveis alternativas bem distintas do capitalismo, em suas várias formas.  Há mesmo quem duvide da existência prática de alternativas...

É uma discussão inútil e desnecessária, portanto: como qualquer estrutura humana,  o capitalismo é um processo com falhas e acertos,  em busca de um mundo melhor.  Entretanto,  não há alternativas disponíveis,  ainda mais que as utopias  que aparecem de vez em quando se mostraram, todas, absolutamente inviáveis e ineficientes em sociedades livres.

O que interessa, pois, é aperfeiçoa-lo e para isso, efetivamente aprender com a história.

Em vez do debate estéril em torno de miragens, temos que nos debruçar sobre como manter um sistema financeiro mais seguro, sem sacrificar sua criatividade e  em como tornar os Estados mais eficientes nas suas funções básicas de dirimir os conflitos,  manter a ordem e a segurança e diminuir, de maneira sustentável, as desigualdades sociais, visando promover um máximo de igualdade nas oportunidades.

É uma tarefa enorme, mas necessária.