5 de julho de 2015

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2015

Volume 15  Edição  719

O  NOVO  PLANO  DA  PETROBRÁS

REALISMO, PARA  VARIAR:


As reações do mercado ao novo Plano de Negócios da Petrobrás (2015-2019)  foram abaixo do que era merecido:  com foco ostensivo em redução de alavancagem e rentabilidade para os acionistas, pode ser que a divulgação prévia desses temas tenha esvaziado um pouco a repercussão. 

Como permanece com força a campanha para a revogação do sistema de partilha e da exclusividade da Petrobrás na exploração do pré-sal, com poderosos interesses desejando assumir o pré-sal com as benesses do sistema de concessão,  compreende-se que a cobertura da mídia tenha sido deficiente para o novo Plano.  Apesar disso, foram objetivas e adequadas as perguntas feitas pelos repórteres presentes à coletiva de divulgação,  surpreendentemente melhores que as feitas habitualmente por analistas...

As âncoras do Plano, além das premissas sobre os cenários de mercado (estabilidade para os preços externos de petróleo e derivados, idem para o câmbio) são o compromisso de manter os preços internos em paridade com os internacionais, motivo de desequilíbrio nos anos recentes, a redução dos investimentos e das metas operacionais de produção e a monetização de ativos, por venda ou otimização de desempenho.

Com isso, e a manutenção do programa de estrito controle de custos e despesas, é planejada uma sensível redução da alavancagem, retornando-se no final do período a cifras globalmente aceitas para as relações entre dívida e patrimônio e entre dívida e EBITDA.

Tudo isso representará a volta da credibilidade para a empresa e uma aceleração dos lucros para os acionistas, uma vez que todas

essas diretivas convergem para maior geração de caixa, sem que a redução temporária dos investimentos afete o futuro da lucratividade (até porque os mercados estão em condições bem mais fracas...).

Não se deixou de detalhar ainda novos esforços na governança,  agora com diretoria própria, visando diminuir a possibilidade da repetição dos episódios recentes de corrupção.

Apesar das captações realizadas neste ano demonstrarem sua capacidade de captar recursos no mundo, a empresa garantiu não pensar em novas emissões de ações para aumento de capital, revelando também confiança na possibilidade de obter sucesso nos projetos de vendas de ativos e especialmente na captação de valores extra em ativos possuídos.

Este último ponto foi central nas dúvidas dos jornalistas, pois envolveria a obtenção de US$ 46 bilhões entre 2017 e 2018, considerada muito otimista.

O anúncio, feito depois, de reabertura do capital da BR Distribuidora e as menções a admissão de novos parceiros nesse e em outros projetos, são as explicações para o tema.   A confiança da empresa sugere que muita coisa já está entabulada há algum tempo,  numa demonstração que a necessidade fez mesmo mudar a orientação ideológica a esse respeito.

Seja como for, o Plano parece cuidadoso e modesto,  com premissas críveis e lógica sólida,  ainda que nada impeça o seu acompanhamento cuidadoso.

O Congresso tende a aprovar algumas modificações no regime de partilha,  a meu ver em benefício de poucos,  mas isso poderá representar um alívio na campanha contra a empresa,  sendo mais uma perspectiva de curto prazo a seu favor,  ao par dos maiores lucros que deverão resultar  do novo Plano de Negócios.