23 de novembro de 2014

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2014

Volume 14  Edição  699

PETROBRÁS,  A  VÍTIMA (II)

Ainda na incerteza

A rede de corrupção descoberta na Petrobrás parece estar apenas sob o início de um complexo processo de investigação,  estarrecendo por suas cifras e também pela complicada malha de pessoas que nela está envolvida.

A notícia de que apenas um gerente se proponha a devolver quase cem milhões de dólares,  num acordo para amenizar punições e que os principais contratos de obras gerassem até 5% de comissões por fora (os famosos PFs...), divididas com partidos políticos e funcionários,  levou a estimativas de que ocorreram desvios chegando até R$ 21 bilhões neses contratos.

Parece exagerado, mas seja quanto for, o que espanta é que certamente são cifras enormes que não poderiam ter escapado aos controles,  sejam os internos da companhia (especialmente sua contabilidade, seus Conselhos Fiscal e de Administração),  e mais os externos, que incluem os do Governo (ANP, controladorias, Tribunal de Contas etc) e os privados (auditores,  agora preocupados, CVM, SEC americana).   Uma refinaria não pode ser orçada em US$ 5 BB e custar quatro vezes isso, se é que isso é verdade, sem que ninguém desse pela falta do dinheiro.

A verdade é que o que sempre se comenta a boca pequena (a corrupção em entes públicos)  não pode ser novidade para muitos, a disputa voraz por cargos e verbas públicas sempre demonstrou a existência desse tipo de esquemas, como também o enriquecimento rápido de políticos e funcionários.

Impotente e desanimado com o não funcionamento das instituições que deveriam fiscalizar, reprimir e punir esses crimes,  o público conformou-se com a situação, acrescentado-a como uma característica da nossa sociedade: dai, por exemplo,  os sonhos dos nosso jovens em ingressar no serviço público (milhares em estádios, nos concursos para simples cargos na limpeza pública) ou na vida pública política.   

 

 

Dai também a proliferação dos "conhecidos" que conseguem empréstimos e outras vantagens de órgãos públicos ou "gente" que consegue facilidades junto à burocracia ou à fiscalização pública.

Evidentemente, não há escusas aceitáveis para o que aconteceu, todos os que estão de alguma maneira envolvidos têm no mínimo culpa por negligência,  e muitos agiram com dolo mesmo.

Não se sabe se provas poderão ser reunidas para botar boa parte deles na cadeia e se haverá recuperação dos prejuízos,  inclusive os dos milhares de acionistas da companhia.

Agora, todos se preocupam em deduzir do ativo valores a mais que criminosos levaram a companhia a pagar (analistas, fiscais, auditores, a administração da companhia, o Governo),  todos que não sabiam de nada até agora,  que não viram bilhões de dólares serem escancaradamente acrescentados aos gastos...

A rigor, o efeito negativo no patrimônio é parcial, já que automaticamente fica gerado um crédito contra os culpados para ressarcimento,  de maior ou menor viabilidade,  além da óbvia reposição, depreciações e amortizações já feitas sobre os excesso de valor.  Corrigido o ativo,  também automaticamente melhoram as margens conhecidas de lucro operacionais,  já que obtidas com ativos de menor valor.

A perspectiva para os acionistas vai depender exclusivamente da governança que a companhia puder adotar, talvez não pela sua atual administração, diretamente envolvida nos fatos, por ação ou omissão.

O negócio em si, não preocupa,  sabe-se que é excelente e de alta rentabilidade,  com mercado cativo e imensas reservas.