15 de janeiro de 2017

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2017

Volume 16  Edição  765

A  LUZ  NO  FIM  DO  TÚNEL


No rumo,  com dificuldades


A Bovespa recebeu com imediata euforia  a decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,75% a.a.

Concomitantemente, saíram cifras melhores para o varejo e os serviços em novembro e a inflação oficial de 2016 acabou ficando dentro da meta,  o que parecia impossível, até bem pouco  tempo atrás.   O acordo sobre a dívida dos Estados avançou e a balança de pagamentos do ano passado ficou em números melhores do que as projeções esperavam.

São notícias melhores,  após o terror dos presídios, confirmando que vamos evoluindo no rumo certo,  ainda que muito ainda esteja por ser feito.

Vários riscos políticos estão pela frente,  o principal sendo o julgamento da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral,  o mais imediato sendo a eleição das Mesas da Câmara e do Senado e ao fundo, efeitos da continuação da Lava Jato e congêneres.

Ao mesmo tempo, a economia não está livre de eventos negativos, especialmente com a quase falência dos entes públicos.

A vantagem de se seguir um rumo certo é que a confiança vai voltando,  o que é essencial para as decisões empresariais quanto ao futuro: quanto investir, quanto contratar, que riscos assumir.

Os mercados são bons sinalizadores de como a situação vai sendo recebida pela opinião pú

blica e tende a ser otimista,  estando como tudo indica,  atravessando uma Onda V de alta.   No curto prazo,  sempre aleatório,  a tendência pode ficar temporariamente confusa.

A Selic é menos importante no aspecto de ser elemento de fomento ou não à atividade econômica, pois os juros comerciais estão muito acima do seu nível;  entretanto, apenas a redução de 0,75% sobre uma dívida de cerca de R$ 3 trilhões,  representa uma economia acima de R$ 22 bilhões num ano,  mais do que se pretende obter com contenções específicas de gastos ou com idéias particulares de arrecadação ou com ações individuais com ativos públicos.

Sendo os juros restantes sobre  a dívida ainda de mais R$ 400 bilhões e o déficit previsto para 2017 de quase R$ 150 bilhões,  pode-se entender que o assunto fiscal está sendo tratado em duas vertentes:  medidas de ajuste de longo prazo,  apontando para maior eficiência da despesa pública (fazer o mesmo ou mais com os mesmos recursos ou menos),  para construir confiança suficiente que permita,  sem sobressaltos, a redução da Selic a um nível civilizado,  o que equilibraria o orçamento rapidamente.

Materialmente falando,  a tarefa é simples e parece fácil,  pois até uma Oposição de boas intenções compreenderia que quanto mais rapidamente se conseguir executar esse plano,  melhor para todos,  em especial para os mais pobres. 

Não dispomos de uma Oposição assim,  muito pelo contrário,  nem a Situação mostra atuação transparente e objetiva na gestão da tarefa que, acertadamente,  propôs.   Nas linhas gerais,   apesar disso,  há consenso na sociedade,

Como sempre,  o problema está nos detalhes...