26 de fevereiro de 2017

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2017

Volume 16  Edição  771

O  P/L  VAI  AUMENTAR


Uma função dos juros


O múltiplo Preço/Lucro é um do mais populares indicadores utilizados pelo mercado para avaliar negócios e empresas.

Na verdade, é o resultado da aplicação do tradicional método de descontar a valor presente um fluxo futuro, a uma dada taxa de juros;  no caso,  trata-se de descontar o fluxo futuro de lucros que se calcula possa ser gerado por um negócio ou uma empresa.   Uma simplificação matemática reduziu o procedimento à divisão do valor atual da companhia (cotação da ação)  pelo lucro projetado ou mais recente (lucro por ação).   Isso é geralmente divulgado como em quantos anos o capital (a cotação) pode ser recuperado, se repetido o lucro considerado.

Os analistas calculam P/L individual,  setorial e do mercado para suas referências;  porém  médias são sempre difíceis de se obter,  pois é complicado o estabelecimento de critérios sobre como tratar os casos extremos (P/Ls muito altos e muito baixos) e os prejuízos, dentro de uma seleção.

Na teoria,  ações com P/L baixo estariam "baratas" e as com P/L alto estariam "caras".O paradoxo bastante comum de  companhias de excelentes perspectivas estarem sempre muito "caras" seria explicado pelo fato do mercado incluir em suas projeções um crescimento constante dos lucros futuros, alterando o valor presente para mais.

O P/L não é calculado pelos investidores com precisão científica, normalmente apenas pela forma simplificada acima descrita.

Mesmo nos casos em que se projeta um fluxo crescente (ou decrescente...) para o fluxo futuro de lucros, o cálculo é feito instintivamente pela forma simplificada.

Em tempos inflacionários,  o mercado brasileiro usava basicamente uma suposta taxa real de juros para desconto e o P/L médio oscilava entre 5% e 10%, conforme a fase do Ciclo.  Nos últimos anos, depois do Plano Real,  o mínimo foi em meados de 2002 (5,5) e o topo em maio de 2008 (18);  atualmente,  com a recessão e os juros altos,  imagina-se que o P/L médio tenha recuado para os mínimos.

Ainda na teoria e inalteradas outras coisas,  o cenário atual que imagina forte redução dos juros conduz a um necessário aumento do P/L, já que aumentaria o valor presente dos mesmos fluxos anteriormente projetados,  ou seja, o mercado pagaria mais pelas ações,  independentemente de quaisquer outras melhorias.

O modelo fica coerente com outros aspectos: a transferência de recursos da renda fixa para a renda variável, a diminuição dos riscos esperados, o retorno da confiança.    São diferentes pontos de vista,  resumidos nas premissas de um mesmo fenômeno:  uma Onda V de alta.