22 de fevereiro de 2015

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2015

Volume 15  Edição  710

AS  REAVALIAÇÕES  DE  ATIVOS

Assunto da moda


Vivendo já há algum tempo com inflação bem mais moderada, se comparada com o período anterior ao Plano Real,  muitos não lembram da difícil convivência da contabilidade da época com o fenômeno de preços em constante rearrumação.  Uma palavra chave na época era a chamada reavaliação dos ativos,  feita voluntariamente ou forçada pela correção monetária dos balanços.

O assunto voltou a ter destaque ultimamente,  com a Petrobrás tendo que calcular o efeito da corrupção sobre o valor contábil de seus ativos e a Vale pressionada a talvez reavaliar seus ativos, pela queda do preço do minério de ferro, como já foi feito pela Rio Tinto, uma das suas maiores competidoras.  De repente, o mercado pode começar a pensar nisso também para outras empresas e outras situações...

Na verdade, como ressalta um artigo do contador Marcos Moliga, "d
entre as alterações da legislação contábil, advindas por força da Lei 11.638/2007, destacamos como um dos impactos destas alterações, a inserção do impairment e a extinção da reavaliação de ativos, havendo a possibilidade da reavaliação apurada se tornar um fator conjuntural e indicar a necessidade do teste de impairment, o que torna premente entender os efeitos da reavaliação de ativos no Brasil e sua relação com este novo instituto.

A lei 11.638/2007 traz a extinção da reavaliação de ativos e a inserção do impairment. O que mostra a importância do impairment como propósito de deixar os ativos registrados ao limite dos valores correspondentes ao seu retorno econômico.

Ao contrario do impairment, a reavaliação , quando mal utilizada estava auferindo ao ativo registrado um valor superior a sua real capacidade de retorno econômico e geração

de caixa, mascarando as demonstrações contábeis e os indicadores de analise e, portanto, induzia à perda de credibilidade pelos investidores estrangeiros."

O teste tem a proposta de ajustar o valor existente nos ativos, objetos do teste a valor real, se os mesmos estiverem superavaliados, independente do motivo, e para tanto o critério para se apurar esta situação se dá por duas formas, sendo:
a)      calcular o preço de venda líquido (caso fosse vender o equipamento) ou
b)      calcular o valor em uso do equipamento - (continuando com o equipamento, quanto vai gerar de lucro?).

Como muito do que se refere à contabilidade,  não se trata aqui de empregar uma fórmula científica exata: pelo contrário,  há um amplo campo de subjetividade, começando pela própria aplicação de a ou b e, neste último caso,  de adotar um de vários métodos existentes para determinação de valor.

O método do desconto a valor presente de fluxos futuros (de caixa ou de lucro, uma primeira dúvida ente alternativas viáveis), por exemplo, que é um dos mais utilizados,  depende das premissas iniciais adotadas, como vida útil estimada,  projeções para os negócios e em especial, taxa de juros para o desconto,  sendo extremamente sensível a pequenas variações em quaisquer dessas premissas.

Para investidores, o essencial é que haja uma suficiente transparência sobre os procedimentos que forem adotados, para que se compreenda uma faixa de alternativas que possam afetar o valor atribuído aos ativos da empresa.

No fundo, o objetivo dos métodos contábeis é justamente apresentar um retrato o mais aproximado possível da realidade do patrimônio das companhias,  dentro dessas convenções,  para que o risco do empreendimento seja avaliado em condições equitativas por credores e acionistas.