3 de abril de 2016

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2016

Volume 16  Edição  752

O  TRIMESTRE  DOS  PREJUÍZOS

Matéria contábil


O quarto trimestre de 2015,  naturalmente por ser o último do ano fiscal mais generalizado, apresentou um novo recorde de prejuízos entre as companhias abertas.

Não, não,  desta vez não foi a variação cambial a culpada:  no trimestre, o dólar subiu de R$ 3,9566 a R$ 3,9620 ou seja,  subiu apenas 0,14%.

Na verdade, além dos efeitos já conhecidos das crises nacional e internacional sobre as economias, o que trouxe o recorde negativo foram provisões apropriadas  no período.

A provisão mais substancial foi a provisão para ajustar valores de ativos à atual  realidade do mercado.  Essa prática contábil (o chamado impairment) é de atualização regulamentar recente.

A Lei Nº. 11.638/07 impõe às Sociedades de Grande Porte, a aplicação periódica compulsória do teste de recuperação dos valores regis
trados no imobilizado, intangível e diferido.

 

Empresa de grande porte, segundo esta nova lei, é a sociedade ou conjunto de sociedades sobre controle comum que tiver, no exercício anterior, ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões. Independente de sua constituição jurídica ser Sociedade por Ações ou Sociedades de Responsabilidade Ltda.

A contrapartida do ajuste feito vai para a conta de resultados.

A Petrobrás e a Vale, por exemplo, fizeram enormes ajustes no 4º trimestre,  reduzindo o valor dos seus ativos,  basicamente tendo em vista a  forte redução na cotação de seus produtos básicos, o petróleo e derivados e o minério de ferro;  além dos estoques, equipamentos e instalações industriais foram então ajustadas aos seus valores recuperáveis, de acordo com pesquisa de peritos.

Esse ajuste disfarça um pouco o resultado essencialmente operacional e dificulta a análise dos investidores.