27 de julho de 2014

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2014

Volume 14  Edição 682

A  TEMPORADA  DE  TRIMESTRAIS

Começa bem:

Na matéria de capa da Edição passada, comentei que estavam divergentes as cifras sobre a presença de turistas na Copa e as sobre o movimento financeiro do evento na nossa economia,  a julgar pelas previsões gradativamente mais pessimistas sobre a evolução do PIB, da inflação e do resultado fiscal.

Claro,  em época de eleições aumenta o grau de desinformação ou para enfeitar o desempenho de quem está no poder ou ao contrário,  para denegri-lo o mais possível:  a verdade,  sofre...

Entretanto, cifras oficiais e oficiosas não convergiam e como me pareceu óbvio o sucesso da Copa como acontecimento,  bem como a enorme presença de público (e de turistas) e da sua correspondente injeção de recursos na nossa economia,  manifestei a sensação de que o pessimismo poderia estar exagerado.

Um das fontes de minha convicção era também o acompanhamento que faço dos negócios da maioria das companhias abertas e que já sugeria,  por exemplo, melhorias no varejo e no setor de celulose, sem falar nos Grandes Bancos,  tudo objeto de menção nesta carta semanal.

Pois bem,  começam a ser divulgados os resultados trimestrais e o que me havia sido informado começa a  se materializar: a Fíbria passou de prejuízo a substancial lucro,  as Lojas Renner, o Pão de Açúcar e a ViaVarejo tiveram também importante aumento de lucro e mesmo a Usiminas passou para o positivo. 

Nada disso está de acordo com as projeções pessimistas,  ainda que seja uma pequena amostra inicial (relevante,  no caso do varejo), ainda mais levando-se em conta que o trimestre abrange apenas umas duas semanas dos 40 dias de Copa,  cujo impulso de renda adicional se imagina vá influir por mais alguns meses,  outros fatos desconsiderados.

 

Ainda tivemos a GOL alertando que o seu trimestral deverá ser ainda melhor que o anterior,  maiores expectativas para Petrobrás e a Vale em relatórios de grandes instituições e novos gestos do Governo (eleitoreiros ou não) em prol das pequenas e médias empresas, responsáveis por quase um terço dos empregos no país.

O mercado tem reagido pontualmente a cada uma dessas notícias boas,  como também em relação às más,  como de hábito parecendo sempre surpreso com tudo,  como se ninguém acompanhasse de verdade o andamento das empresas.

Entretanto, para a mídia especializada, apenas os eventos internacionais a cada dia e os palpites sobre as pesquisas eleitorais,  é que têm provocado a movimentação da Bolsa.

Como sempre,  isso é falso e superficial: os bons e maus resultados é que são os principais vetores dos negócios,  posições são feitas e desfeitas em razão das perspectivas que se projetam a partir de cada demonstração financeira.

Não há dúvida de que há um consenso do mercado,  atualmente e por enquanto, de que uma vitória da Oposição seria melhor para a economia,  em especial para as estatais e conexas, e para as concessionárias ou para os Grandes Bancos.

É verdade transitória,  se o Governo lograr sua reeleição,  logo aparecerão as propostas de união nacional e a os discursos que procurarão racionalizar os acontecimentos;  gradualmente, as pesquisas irão desenhando o que deverá ser revelado pelas urnas,  diluindo o elemento surpresa.

Em suma, o foco tem que ser na realidade operacional das companhias,  a economia nacional irá se ajustando.   Os próximos meses estarão cheios de desinformação, de jogo de cena,  de conversa fiada.