24 de maio de 2015

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2015

Volume 15  Edição  715

RUMORES:  OS  BASTIDORES

Sempre negativos ?


Os pequenos investidores, já cansados de tantas trapalhadas oficiais, de tantas más notícias e dos já sete anos de baixa (a partir de maio de 2008...), reclamam nas redes sociais
do caráter predominantemente negativo dos rumores: são maioria os boatos de que coisas ruins irão acontecer...

Uma explicação imediata para isso é que a tendência em voga sendo de baixa, o normal é mesmo que a índole seja pessimista junto ao público;  essa condição é tão forte que quando ocorre uma reversão, a primeira onda de alta é até 99% corrigida por uma segunda onda, segundo Elliott,  ainda por influência da tendência de baixa anterior e de seu pessimismo.

Por essa mesma razão é que a terceira onda de alta costuma ser a mais extensa em duração e em amplitude,  por evoluir quase do ponto de partida inicial,  após (afinal!) a diminuição do pensamento coletivo negativista.

No nosso mercado,  como em outros,  há uma ativa parcela dos agentes que opera na venda, como demonstram bem os avantajados saldos contratados de ações alugadas, majoritariamente a serviço desse tipo de especulação.  Evidentemente, esse grupo tem interesse no noticiário negativo,  sendo normalmente mais ativo e influente que seus opositores comprados,  em geral diluídos no grande público.

A mídia, por sua vez, reflete ainda interesses políticos das suas respectivas organizações, anunciantes e colaboradores, além de receber informações também de pessoas também com interesses próprios.

Há um velho ditado do mercado que lembra que as boas notícias vêm dos vendedores e as más notícias chegam pelos compradores...

Ou seja, e em resumo, é preciso muito cuidado ao tomar conhecimento de notícias, rumores e boatos, que nem sempre são imparciais e honestos. Aliás, lidar com esse aspecto é a missão proposta para esta carta semanal sobre investimentos e daí o seu título...

Os investidores podem utilizar em sua análise não só o efeito que o noticiário provoca no mercado,  como o que deixa de provocar, detalhe menos comentado.

Por exemplo, na medida em que uma grande movimentação se desdobra para a aprovação de um ajuste fiscal que possa restabelecer um mínimo de confiança nos negócios,  um veio abundante para rumores são as possíveis medidas que farão parte desse ajuste.

Como grandes interesses estão envolvidos, empresas, trabalhadores, contribuintes em geral, governos etc.,  e se anunciou pelo menos um ano de "sacrifícios" até que as coisas retomem um curso razoavelmente normal,  todos se preocupam em receber a menor quota possível desses sacrifícios.  Temores e anseios vão se expressando sob a forma dos boatos,  algumas vezes espalhados justamente para medir as reações a uma ou outra proposta para o Plano do ajuste.

Nesta semana, que começava com um vencimento de opções e algumas boas notícias como o resultado da Petrobrás,  votações no Congresso e acordos com a China,  além de recordes nas Bolsas estrangeiras,  os principais colunistas da mídia divulgaram aumentos de impostos em dividendos,  proibição de pagamento de juros sobre o capital próprio e uma absurda cobrança do Governo (logo quem...) à Petrobrás sob fundamentos ridículos, de forma tão coordenada que ficou claramente suspeita,  pela coincidência !

Isso até pode ser verdade, do jeito absurdo como muita coisa tem acontecido.   O importante é que após um susto inicial,  o mercado acabou reagindo um pouco, absorvendo os boatos, numa  postura significativa, tecnicamente.